Princípios Essenciais para uma Organização Eficaz de um Sermão

Princípios Essenciais para uma Organização Eficaz de um Sermão

A pregação de sermões é uma prática comum em diversas igrejas e é vista como uma forma de transmitir mensagens importantes e inspiradoras para os fiéis. No entanto, para que a pregação seja efetiva, é necessário que o sermão esteja bem organizado e estruturado, de forma que o pregador consiga transmitir claramente sua mensagem e manter a atenção dos ouvintes.

Vamos abordar a importância da organização do sermão, destacando características fundamentais do corpo do sermão, como a unidade absoluta, o propósito claro, as divisões paralelas e a progressão, além de discutir a importância da ideia central na construção do discurso. Ao compreender esses elementos essenciais, o pregador pode elaborar sermões mais impactantes e envolventes, capazes de tocar e transformar a vida dos fiéis.

A ORGANIZAÇÃO DO SERMÃO

A organização é fundamental para um sermão eficaz. Tradicionalmente, ele é dividido em três partes: introdução, corpo e conclusão. No entanto, hoje em dia, é mais prático simplificar para apenas o corpo e sua estrutura.

Estudos mostram que a maioria das pessoas lembra apenas 25% do que ouve e, após 48 horas, apenas 10%. Portanto, é importante ter uma organização clara e bem estruturada para deixar um efeito duradouro. Descubra como organizar as ideias do seu sermão aqui.

CARACTERÍSTICAS DO CORPO DO SERMÃO

CARACTERÍSTICAS DO CORPO DO SERMÃO

O corpo do sermão é o ponto central da mensagem e, portanto, deve possuir características que o tornem eficaz. Algumas dessas características são a clareza, objetividade, profundidade, coerência, relevância e aplicação prática.

Além disso, é importante que o corpo do sermão esteja de acordo com a introdução e a conclusão, de forma que haja uma harmonia e unidade entre as partes do sermão.

O objetivo é garantir que a mensagem seja bem compreendida e, assim, tenha um impacto positivo na vida dos ouvintes.

1. UNIDADE ABSOLUTA

Um sermão deve ter unidade absoluta, com uma ideia central única e clara. Não pode ter duas ou três ideias centrais, e todas as partes do sermão devem contribuir para essa ideia. Escolher um assunto requer tempo e estudo, e a ideia central deve governar a construção do sermão.

É comum ouvir sermões desorganizados, que misturam muitos temas. A escolha de uma ideia central clara é essencial para a unidade do sermão.

Como disse John Henry Jowet:

“Nenhum sermão está pronto para ser pregado até que possamos expressar seu tema numa frase curta e clara”.

2. PROPÓSITO CLARO NO SERMÃO

Depois de definir o assunto do sermão, é importante estabelecer um propósito claro para a mensagem. Esse propósito pode ser definido antes ou depois da escolha do assunto. O propósito deve declarar o que se espera que aconteça com o ouvinte como resultado da pregação do sermão.

O propósito é diferente da ideia central do sermão, pois enquanto a ideia central declara uma verdade, o propósito define o que aquela verdade deve levar a efeito. Por exemplo, se o assunto escolhido for o perdão, a ideia central pode ser “Deus não se cansa de perdoar”.

O propósito seria levar o ouvinte a buscar o perdão, mesmo após repetidos fracassos. É importante que o propósito seja claro e objetivo para que o pregador possa direcionar a mensagem de forma a alcançar o objetivo esperado.

3. DIVISÕES PARALELAS NO SERMÃO

Ao ter o assunto, a ideia central e o propósito definidos, a organização do sermão se torna mais simples.

O próximo passo é dividir a ideia central em tópicos específicos, geralmente em três divisões paralelas. Embora seja possível usar duas ou quatro divisões, é importante lembrar que um menor número de tópicos aumenta a clareza e a força da ideia central.

É recomendado usar três divisões, excepcionalmente duas, e quatro somente em casos muito especiais.

Por exemplo, considerando a ideia central “Deus não se cansa de perdoar”, as divisões poderiam ser:

A. Não se cansou de perdoar a Davi

B. Não se cansou de perdoar a Pedro

C. Não se cansa de perdoar a você

Observe que essas divisões são paralelas e têm uma palavra-chave comum que as une e fortalece o paralelismo, que no exemplo acima é o verbo “perdoar”.

Quanto mais palavras-chave em comum, maior será o paralelismo das divisões. Além disso, outras palavras, como “não” e “cansar-se”, também podem ajudar a reforçar o paralelismo.

4. PROGRESSÃO

Todo sermão deve possuir movimento e progressão, conduzindo o ouvinte de um ponto inicial para um ponto culminante.

O pregador é responsável por levar gradualmente o ouvinte ao propósito da mensagem, envolvendo-o a cada passo do caminho.

Ao preparar as divisões do sermão, é fundamental estabelecer uma ordem lógica que avance em direção ao ápice da pregação.

No exemplo citado, a progressão das divisões é notável. Inicialmente, o enfoque é no perdão a Davi, no contexto do Antigo Testamento.

Em seguida, aborda-se o perdão a Pedro, mais próximo do presente por estar no Novo Testamento.

Por fim, o clímax do sermão se alcança ao enfatizar o perdão ao próprio ouvinte: “Deus não se cansa de perdoar a você”.

Vamos agora observar um exemplo de discurso sobre o tema da temperança.

Veremos como a ideia central se sustenta nos tópicos das divisões e progride com coesão e clareza:

IDEIA CENTRAL: A importância da temperança na vida cristã

DIVISÕES:

A. A natureza humana é propensa ao excesso

B. Os perigos de se entregar aos excessos

C. A temperança é um fruto do Espírito que nos ajuda a vencer os excessos

Na primeira divisão, o pregador aborda a propensão natural do ser humano para os excessos, destacando que todos somos susceptíveis a cair nessa armadilha.

Na segunda divisão, ele mostra os perigos que se apresentam quando se cede aos excessos, como a destruição de relacionamentos e a perda de controle sobre si mesmo.

Por fim, na terceira divisão, ele destaca a temperança como um fruto do Espírito que nos ajuda a vencer os excessos e a manter uma vida equilibrada e saudável.

Perceba que há uma progressão lógica nas divisões, que leva o ouvinte a compreender a importância da temperança na vida cristã e a tomar medidas práticas para desenvolvê-la em sua própria vida.

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Sobre o Autor

Andre Lourenco
Andre Lourenco

Bacharel em Teologia e tecnólogo em Gestão da Qualidade, André possui mais de 15 anos de experiência na pregação. Autor de cursos de homilética e hermenêutica, também leciona na EBD.

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