preparar um sermão expositivo

10 dicas para preparar um sermão expositivo

Pregar não é compartilhar opiniões. Tem a ver com a verdade infalível do texto da Escritura e com a divulgação da mensagem que ela procura transmitir.

A pregação expositiva está passando por uma espécie de mini renovação em nossos dias e hoje quero oferecer dez dicas sobre como preparar uma mensagem expositiva.

1. Ore

A oração deve acompanhar o pregador em cada passo da mensagem. É vital manter um espírito de oração contínuo antes de subirmos ao púlpito, uma vez que estamos no púlpito e mesmo quando descemos do púlpito. Todo grande pregador nos anais da história cristã dedicou muito tempo à oração.

Assim, os pregadores devem interceder continuamente diante do Senhor para que a Palavra semeada penetre no coração de seu povo. “Senhor, ilumine o entendimento deles! Abre-lhes os olhos e os ouvidos para que vejam e ouçam maravilhas da tua bendita Palavra!”

2. Ler e reler o texto

É importante ler o texto do qual vamos pregar uma e outra vez. Na verdade, também é uma boa ideia aprender de cor. Além de nos aprofundarmos no contexto imediato dos versículos que cercam nosso texto, fazemos bem em ler os capítulos anteriores e seguintes para compreender a linha de pensamento do autor bíblico. Não podemos pregar a partir de Romanos 3 sem levar em consideração Romanos 2 ou 4.

3. Anote o gênero literário

Outro ponto que merece destaque é o gênero literário do livro. É um livro histórico como Crônicas ou poético como os Salmos ou literatura sapiencial como Eclesiastes ou é uma epístola doutrinária? Compreender o gênero literário do nosso texto nos ajudará a interpretar a passagem com mais fidelidade.

Por exemplo, não podemos interpretar a literatura apocalíptica ou a literatura poética da mesma forma que interpretamos um texto histórico. De um modo geral, é muito mais fácil e menos perigoso pregar sobre uma carta doutrinária do que um texto poético, porque as epístolas tendem a ser muito mais claras e menos simbólicas por natureza.

4. Estudar o contexto histórico

É quase impossível sondar as profundezas das Escrituras sem levar em consideração seu contexto histórico. Não apenas o contexto histórico é vital, mas qualquer informação extra sobre o autor do livro também é útil. Todas essas observações podem nos ajudar a apreciar as características distintivas de um livro e produzir um sermão mais rico.

Se compararmos o Evangelho de Mateus com o de Marcos, podemos ver imediatamente como este último enfatiza o dinamismo e o poder de Cristo quando seu Evangelho é enviado aos romanos, enquanto o primeiro está muito mais preocupado em como Jesus cumpriu as Escrituras judaicas porque Mateus estava escrevendo para os judeus convertidos ao cristianismo.

5. Analise cuidadosamente a ideia central (e a gramática)

Se você conhece sua passagem muito bem, será muito mais fácil identificar a ideia central e as ideias subordinadas que aparecem nela. Em quase todos os casos, as palavras mais importantes de qualquer versículo são os verbos. Agora, adjetivos, substantivos, advérbios e conjunções também têm seu papel; mas o real significado dos versículos bíblicos está contido em seus verbos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (João 3:16).

Vale sempre anotar o versículo em um pedaço de papel solto com a ideia central no topo e as ideias subordinadas abaixo, conectando-as com setas, figuras, símbolos, etc.

6. Conecte sua passagem à teologia bíblica

Cada texto se encontra em um determinado livro, mas também tem um lugar no grande esquema abrangente da história da salvação. O pregador evangélico deve sempre procurar conectar sua passagem que está estudando ao Senhor Jesus Cristo.

Às vezes, o texto fará menção explícita a Cristo, portanto, esse passo é desnecessário; mas na maioria das vezes, sobretudo em livros onde Cristo não é explicitamente nomeado, deve-se pensar em como a passagem se relaciona com Ele (sem abusar do texto, é claro!)

7. Faça um esboço

Depois de definir a ideia central do texto, podemos agora avançar para traçar o nosso esboço. O esboço ajuda muito enquanto pregamos. Infelizmente, muitos sermões contemporâneos seguem em dezenas de direções diferentes e quando a mensagem termina, ninguém entendeu uma palavra.

Isso, com toda a honestidade, não é culpa da congregação, mas do pregador. Podemos ter feito um maravilhoso estudo literário, histórico e gramatical; mas se nossos pensamentos não estiverem claramente estruturados, muitos de nossos ouvintes deixarão a igreja confusos.

O objetivo do pregador deve ser certificar-se de que seu povo entenda sua mensagem claramente para que, quando chegarem em casa, saibam exatamente o que foi pregado da Palavra.

8. Adicionar ilustrações e aplicações

Ilustrações e aplicações são duas maneiras muito simples que os pregadores protestantes sempre usaram para tornar seus sermões mais fáceis de entender.

As ilustrações são ótimas porque ensinam verdades profundas de maneira simples. Se houver pessoas filosoficamente orientadas em sua igreja, elas receberão sua mensagem chave imediatamente, porque o mundo deles é o reino dos conceitos. Mas a maioria das pessoas aprende por meio de ilustrações.

Um bom exemplo ao falar sobre a doutrina da dupla imputação é o de um juiz que declara inocente um criminoso culpado porque outra pessoa paga a dívida no lugar do pecador.

As aplicações também são importantes, pois evitam que o sermão seja um mero discurso floreado. A doutrina da Palavra pregada deve ser inculcada no coração de nossos ouvintes.

9. Leia outros livros

Depois de estudar um texto, não há mal nenhum em descobrir o que outros pregadores disseram sobre a passagem em questão. Comentários bíblicos são sempre uma boa ideia. Antes de pregar, geralmente leio o que John MacArthur e John Piper disseram sobre meu texto. Às vezes eles me dão novas idéias e às vezes corrigem idéias falsas que eu havia lido na passagem.

10. Pregação

Uma vez que tudo esteja em ordem, não há mais nada a fazer a não ser esperar o início da reunião e levantar-se em nome do Senhor para pregar a Palavra poderosa. Se soubermos que fomos fiéis ao texto em nosso tempo de preparação, certamente desfrutaremos da bênção do Senhor ao pregarmos, pois o Senhor prometeu honrar aqueles que honram Sua Palavra.

O mesmo Espírito que inspirou as Escrituras nos acompanhará enquanto pregamos. Estaremos cientes de um poder que não é nosso ao abrirmos as Sagradas Escrituras. Esses momentos são inesquecíveis e oramos por eles semana após semana.

Então, chegará a hora de descer do púlpito, cheio do Espírito e com o coração cheio de paz até a próxima vez que começarmos a preparar outra mensagem…

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